6.9.09

Sentada à beira-mar, todos os dias falava com a ondas que me traziam muitas notícias de todos os pontos do mundo. Segundos antes de rebentarem, já advinhava qual era a maneira delas se enrrolarem. Cada uma com os seus próprios jeitos, à sua própria maneira, traziam-me cores e cheiros acres do oriente que me provocavam uma ponta de inveja pelo conhecimento que tranportavam nas suas águas. Quando ficava muitas horas a observá-las, o meu sorriso tornava-se mais terno e entendedor, envolvia-me nas suas histórias e apreciava a companhia. Nessa altura não havia ninguém sentado no lugar de areia vazio ao meu lado. E não havia ninguém a preencher o ar à minha volta com palavras. Nem tão pouco tinha outro toque que não o meu na minha pele.
No dia em que chegaste, o mar contou-te as suas histórias, tal como me tinha contado. Ouviste atentamente, absorvendo cada detalhe mas as ondas são bravas. Depressa se gabaram dos países que visitavam, das culturas que conheciam, das pessoas que as escutavam, fazendo pouco da tua ignorância que a mim me soava tão dócil. Tinhas sede para aprender mas o mar não se fez pequeno e inundou-te. Pela primeira vez fiz-lhe frente e falei-lhe do que ele não conhecia. Contei-lhe dos medos e das ambições, dos sonhos e das alucinações, dos remorsos e das surpresas, das tristezas e das alegrias, contei-lhe tudo o que ele nunca poderia conhecer. E o mar, com raiva, deixou-nos.
Se me perguntasses hoje o que penso desse dia, dir-te-ia que a vida tem muito mais para me dar. Não sou aquilo que aprendi na praia a ouvir o mar. Sou mais do que o que sei. E é por isso que não deixei de ser menos depois de o ver partir.

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